sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Movimento do Faça Você Mesmo Chega à Escola

Rodrigo Benoliel, 13, acha que quer ser engenheiro. Se assim for, quando prestar vestibular, daqui a quatro anos, ou entrar no mercado de trabalho, em quase uma década, já vai ter um portfólio recheado: robôs, modelos, circuitos e até uma maquete de casa sustentável premiada, com direito a sistemas de reaproveitamento de água e painéis solares. Seu amigo, Mário Grünbaum, 14, compartilha da experiência com as pequenas e grandes invenções e da dúvida – acha que pode fazer engenharia, se não decidir por medicina. Os garotos têm participado de aulas e oficinas de robótica desde o ano passado na escola onde estudam, o Liessin, no Rio de Janeiro.

Lá, quarta-feira é sagrado, é dia de laboratório. Dessas bancadas equipadas com furadeira, torno, fresa, peças automatizáveis de Lego e, em breve, uma impressora 3D, já saíram óculos para natação com dados sobre a performance do atleta, bengalas eletrônicas de baixo custo para cegos e todo o tipo de produto que os alunos resolvem criar a partir de seus próprios interesses. Quem comanda toda essa parafernalha – no bom sentido, claro – é Charles Lima, um típico Professor Pardal, que estudou ciência da computação e era responsável pelo laboratório de informática até entender que o futuro não estava ali. Fez o curso de engenharia mecânica e coordena, desde 2004, as aulas de robótica do colégio. “A escola virou um celeiro de ideias”, comemora ele, que tem visto os efeitos dos momentos de experimentação irem para muito além do laboratório.
crédito Gresei/ Fotolia.com
 
Bancadas como a de Lima e suas aulas de robótica se multiplicam pelo Brasil. Só para se ter uma ideia desse aumento, na OBR (Olimpíada Brasileira de Robótica), que envolve estudantes de todo o país, o número de inscritos passou de 5.000 na primeira edição, em 2007, para quase 50.000 neste ano. Esses números são um indício de que o chamado “Movimento Maker” ou “do Faça Você Mesmo”, que tem aparecido com força nos Estados Unidos e na Europa, já começa a dar as caras na educação brasileira. Pelo mundo, o movimento se organiza em torno de laboratórios dentro de universidades, em locais públicos ou privados chamados de fablabs, ou laboratórios de fabricação digital.

Fonte: PORVIR

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